Veja o vídeo das emas que atravessaram o Rio Grande nadando; comportamento é pouco conhecido

Inusitado: Veja o vídeo de emas atravessando rio nadando em SP Durante uma pescaria no Rio Grande, no trecho que faz divisa entre os estados de São Paulo e Mi...

Veja o vídeo das emas que atravessaram o Rio Grande nadando; comportamento é pouco conhecido
Veja o vídeo das emas que atravessaram o Rio Grande nadando; comportamento é pouco conhecido (Foto: Reprodução)

Inusitado: Veja o vídeo de emas atravessando rio nadando em SP Durante uma pescaria no Rio Grande, no trecho que faz divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, os irmãos Deivid Walifer e Danatiel Pereira Sunochio observaram uma cena inusitada: duas emas (Rhea americana) nadando. As aves de grande porte realizavam a travessia pelo lado mineiro do rio e demonstraram habilidade dentro da água. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp “Muita gente nem imagina que elas fazem isso. Foi uma cena muito diferente e bonita de se ver na natureza, por isso resolvemos registrar o momento”, comenta Danatiel. A dupla, que atua como guia de pesca e conhece bem a região, afirma que o flagrante já se tornou um dos momentos mais especiais observados por eles no Rio Grande. “Já vimos muitas situações interessantes por estar sempre no rio, mas com certeza essa foi uma das cenas mais marcantes e diferentes que tivemos a oportunidade de ver”, acrescenta o guia. Ema falgrada nadando no Rio Grande Deivid Walifer e Danatiel Pereira Sunochio Veja mais notícias do Terra da Gente: VÍDEO: Médico fica a 15 metros de distância de onça-parda no interior de SP FOME: A ameaça silenciosa que pode extinguir onça-pintada na Mata Atlântica VEJA: Guerra entre Irã, EUA e Israel ameaça rota de 500 milhões de aves migratórias Repercussão nas redes O vídeo foi compartilhado no perfil ‘Operação Mira Estrela’, administrado pelos irmãos e dedicado à pesca esportiva. Para a surpresa da dupla, o conteúdo rapidamente chamou a atenção do público. “A repercussão foi surpreendente. O vídeo já passou de meio milhão de visualizações e recebeu muitas interações. Teve gente que já tinha visto algo parecido, mas a maioria se surpreendeu porque não sabia que as emas nadavam. Inclusive para nós também foi algo inédito”, explica o guia e servidor público. Emas são flagradas nadando em Santa Margarida do Sul (SP) José Paulo Souto Dias O ineditismo atraiu olhares curiosos e, de acordo com o biólogo Luciano Lima, há uma explicação para essa reação geral. “A ema carrega uma imagem muito consolidada no imaginário popular. Quando falamos em aves que não voam, muita gente logo pensa nelas correndo em paisagens abertas, como o Cerrado", pontua. "Então, quando as pessoas veem uma ema literalmente nadando, fazendo algo completamente fora do 'script', certamente ficam curiosas. É quase a mesma sensação de ver um jacaré subindo em uma árvore. A natureza gosta de derrubar os estereótipos que a gente cria”, brinca o biólogo. Habilidade pouco conhecida Emas nadando em rio Wesley D. Souza A cena contemplada no Rio Grande é considerada rara e incomum, já que a ema não é uma espécie aquática. “Diferente de um pato, que tem as penas impermeabilizadas e desliza pela água, a ema não tem essa proteção. Ela não possui a glândula uropigial, usada pela maioria das aves para tornar as penas hidrofóbicas", detalha o ornitólogo Luciano Lima. Segundo o especialista, as penas encharcadas aumentam consideravelmente o peso do animal, exigindo que a travessia seja rápida e com destino certo. "As pernas potentes da ave ajudam nesse deslocamento e impulsionam o animal dentro da água”, afirma. No site WikiAves, que reúne registros de observadores de todo o Brasil, existem mais de 6 mil fotos da espécie. No entanto, menos de 10 retratam a ave nadando, o que reforça a dificuldade de flagrar o comportamento. “Embora esse comportamento seja mencionado na literatura científica, é algo muito raro de ser observado em campo. É possível que ocorra com mais frequência do que imaginamos, mas para registrá-lo é preciso estar no lugar certo, na hora certa”, pontua Lima. Ema em rio de Carneirinho (MG) Carlos Minor Ciência e história No livro Ornitologia Brasileira, de Helmut Sick, há um apontamento sobre essa aptidão: “Gosta de tomar banho entrando nos brejos e atravessando rios a nado, sendo boa nadadora”. Charles Darwin também fez relatos históricos sobre o comportamento. “Darwin comenta sobre a ema e também sobre outra espécie parente próxima, a Rhea pennata, adaptada às regiões frias e de altitude da Patagônia e do Altiplano andino", acrescenta o ornitólogo. Para Lima, o vídeo dos guias é valioso para preencher lacunas científicas, já que ainda não existe uma publicação dedicada especificamente a esse comportamento da espécie. “Um registro documentado com data, localidade e imagem é dado. Uma nota científica poderia reunir esse vídeo com registros do WikiAves e colocar tudo isso de forma estruturada na literatura. Cada peça do quebra-cabeça ajuda a montar uma imagem mais completa sobre a biodiversidade”, finaliza. Sobre a ema De hábito terrestre, a ema é comumente avistada em ambientes abertos, como campos naturais, pastos e áreas agrícolas no Cerrado, Pantanal e Pampa. A espécie também ocorre na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Considerada a maior e mais pesada ave brasileira, ela pode atingir 170 cm de altura e pesar mais de 30 kg. Embora não voe, é uma excelente corredora. Apesar de abundante em certas regiões, a ave é considerada quase ameaçada globalmente pela IUCN e classificada como "criticamente em perigo" no estado de São Paulo, devido ao declínio populacional causado pela perda de habitat no Sudeste. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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